domingo, 25 de outubro de 2009

Rascunhos


Naquela estante, cada instante perdurava horas.

Sob canetas e papéis,
Rabiscava rascunhos cruéis,
Dos quais se atrevera a confrontar.

Tentando descrever contornos que lhe vinham aos olhos,
Sentia-se como um bombeiro,
Procurando resgatar vida em cativeiro,
Fragmentos dissipados de si.

À margem dos devaneios,
Não tinha receios da contramão.
Guardava mais conhecimentos,
Indignos de condecoração.

Tanta experiência roubou-lhe o brilho.
Tanta lógica o confundiu.
E naquele momento se perguntava
Como rasgar aquele pensamento que o iludiu?

sábado, 17 de outubro de 2009

Headphones

Monsters of Folk

















Estamos nos referindo a uma verdadeira superbanda, montada por Jim James (My Morning Jacket), M.Ward, Mike Mogis e Conor Orbest (os dois últimos integrantes do Bright Eyes, sendo Conor o mentor). Esta banda é o “Monsters of Folk”, que apesar da brincadeira grandiosa do nome, reflete sim um elenco bem selecionado da folk music em sua formação. Entretanto, apesar da referência ao folk, a constatação ao se ouvir o primeiro álbum do grupo, logo na primeira faixa, “Dear God (sincerely M.O.F.)” é que o disco tende mais para o rock tradicional e algumas influências do country. Tudo peneirado pelas características de cada um, mutáveis de acordo com a canção: lo-fi, alternativo, pop...

A grande música do disco, sem dúvida é “The Right Place”, agradável na primeira audição. Esta ganhou também um vídeo simplório, que pode ser conferido aqui. Outras canções interessantes são: “Say Please” e “Goodway”. A banda está em tour pela América do Norte até o fim do ano.



Ida Maria



















Esta é uma banda que leva o nome de sua vocalista, uma norueguesa que passou boa parte de sua vida na Suécia. Em 2008, eles lançaram seu primeiro disco, intitulado “Fortress Round My Heart”, e não demorou para o grupo tivesse uma excelente aceitação no mercado britânico com seu rock alternativo mergulhado no punk garageiro.

As bases raivosas misturadas ao carisma de sua vocalista atingiram à química perfeita do grupo, evidente em canções como “Stella”, “Oh My”, na bela “Drive Away My Heart” e na sugestiva “I Like You So Much Better When You're Naked”, canção mais conhecida do grupo. A voz de Ida também pode ser ouvida no último álbum do Guillemots, onde ela participa da canção “Words”.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Yes, We Créu!




















Imagem retirada do blog do
Tas
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Essa é a frase que tomou conta da Internet brasileira hoje, especialmente do twitter. Salvo a homenagem ao grande "Mussa", deixo aqui minhas congratulações ao belo Rio de Janeiro, que vai sediar os primeiros Jogos Olímpicos da América do Sul, em 2016, batendo três concorrentes poderosos (Madri, Chicago e Tóquio). E apesar do meu enorme carinho por essa cidade, e da esperança de sucesso para este evento, não consigo esconder, como muitos brasileiros, uma ponta de preocupação, especialmente, se levarmos em conta o comportamento do nosso poder público.

Em 2007, tivemos uma experiência negativa com os Jogos Pan-Americanos, no mesmo Rio de Janeiro, em termos de gastos públicos, onde foi consumido muito além do que se estava previsto no orçamento inicial. Há registros de má experiências olímpicas, como nos Jogos de Atenas 2004, marcados por problemas sérios de corrupção e desvio de dinheiro público. Mas podemos nos lembrar do exemplo de Barcelona 1992, onde os Jogos Olímpicos foram rentáveis financeiramente e positivos para o turismo local. Em que exemplo o Rio 2016 pretende se encaixar? Torço para que seja nos bons exemplos. Temos um dos mais belos cartões postais do mundo, e um evento grande em 2014 (a Copa do Mundo) que pode servir como um grande estágio. Mas é preciso investir em infra-estrutura, apagar a má imagem causada pela guerra urbana cotidiana e, acima de tudo, fiscalizar para que o investimento público se torne realmente público, e não, particular.

sábado, 26 de setembro de 2009

VMSK KFSKVMV EIOVMEDVMK


Em meio ao diálogo, o silêncio se expressa.
Mais contundente que qualquer palavra,
Traz razão aos fatos, ainda que obscuros.
Certezas que se perdem em muros,
Instaurados em teus caminhos.

O que disseste não foi traduzido,
Morreu na interpretação, foi sucumbido
Pela carência de ouvidos para transcrição.
Restou-lhe a estranha sensação
De papear consigo próprio.

Perdeu-se na compreensão de tuas afirmações,
Pois não identificou o alfabeto alheio.
Cercando-se de indagações,
Especulou novos dialetos,
Frustrando o que guardavas para si.

Não há explicação para algo
Que não se consegue explicar.
Sem entendimento individual
Tão pouco existe o coletivo.
Tenho algo a dizer, não me leve a mal.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

3 Explicações Para um Blogueiro Relapso.


Já fazendo um “mea culpa”, admito que minha presença não tem sido tão freqüente neste espaço, pelo menos de acordo com que eu gostaria. Mas não me sinto culpado por este #fail *, e isto ocorre porque já tenho como transferir a culpa pelo fato. São três os motivos que tem tomado a minha atenção e distração nas últimas semanas. Eis os verdadeiros culpados por esta recente ausência blogueira:


- Novo disco do Muse





















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The Resistance é o quinto álbum de estúdio deste excelente trio britânico, lançado nesta semana, mas que já estava disponível na web desde a semana passada. Dada minha admiração pelo trabalho do grupo, confesso que tinha uma grande expectativa em relação ao lançamento deste disco. E não me decepcionei: a banda lançou mais um álbum poderoso, com canções de fácil audição, hinos em potencial, grandes melodias, e a boa mesclagem de belas canções com bons riffs de rock’n roll. Tudo aquilo que a turma de Matt Bellamy sabe fazer bem e aperfeiçou com a experiência, porém adquirindo toques de pretensão maiores com o passar do tempo.

Alguns compararam a primeira música divulgada do disco, “United States of Eurasia” com momentos brilhantes do Queen, e esta é uma influência inegável no som da banda, bem como Jeff Buckley. “Uprsing”, o primeiro single efetivo deste disco, lembra um pouco “Supermassive Black Hole”, o primeiro single do álbum anterior, porém é mais impactante. O grande momento do album, entretanto, fica por conta da faixa título “The Resistance”, um primor de tão bonita. Vale citar também canções como a também bela “I Belong to You (Mon Coeur S'Ouvre A Ta Voix)” e a forte “Unnatural Selection”. O único vacilo do disco ficou por conta de “Undisclosed Desires”, talvez um pouco dançante demais na tentativa de serem ousados. Mas se a ousadia peca nesta faixa, no restante do disco, o equilíbrio toma vantagem, e é isto que faz deste um grande disco.


- True Blood











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Série de vampiros exibida na HBO norte-americana, inspirada na série de livros “Sookie Stackhouse” e que narra a história de fictícia de coexistência de humanos e vampiros em uma pequena cidade de Louisiana, na região sul dos Estados Unidos. A série tem como personagem principal Sookie Stackhouse, uma garçonete que lê pensamentos humanos e se apaixonada por um vampiro, Bill Compton.

Embora o enredo possa parecer um tanto estranho, e possa parecer tender fugir ao exagero, a série de Alan Ball é uma ficção muito bem conduzida, que sabe prender bem o expectador, seja com boas histórias, seja com uma sutil cutucada na realidade, seja uma dosagem de polêmica (comum nos seriados de tv a cabo norte-americanos). Mas fato é que a série tem cativado muitos fãs. E basta assistir para descobrir o porquê.


- Estudos


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Embora não pareça, eu sou um sujeito responsável. Tenho contas a pagar, e uma vida arrumar. Como muitos, tenho metas a alcançar, mas sei que não vou consegui-las enquanto não abandonar um pouco a preguiça, e cair firme nos estudos, algo que estou tentando fazer. O mundo dos concursos não é fácil, moçada. Mas espero ser recompensado pelo meu esforço.
 
 
 
* sinal que apesar de tudo, tempo para o twitter este blogueiro ainda consegue ter.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Planejamento


Fazia presença em seu próprio presente.

Diferentemente do futuro que almejara

Em um passado remoto e fantasista,

Ainda se via longe das benfeitorias,

Em uma cronologia deveras anarquista.

Destilava teorias com perspicácia rara,

Em contradição à sua prática nula.

Confinado, num reality show sem emoções

Via seus desejos tão intensos

Tornarem-se pálidas frustrações.


Suas glórias tão próprias

Tornaram-se saudosas e longínquas.

Distantes como a execução de seu planos,

Debilitados após tantos enganos.

Fim de um ciclo. Um novo (velho) plano.


sábado, 22 de agosto de 2009

Dirt




















Após mais uma semana de notícias desapontantes e talvez óbvias sobre o nosso Senado Federal, a imagem acima, retirada do site do Gordo Nerd, ilustra bem o percepção comum que temos ao ver a maioria dos políticos desta nação subir em alguma tribuna.

Suas palavras não trazem a clareza e a ética necessária para os cargos que ocupam (ou almejam) e traduzem apenas a mais pura imundície do que representam, ao fazer “jogo de fantoche” com os milhões que representam e que os colocaram ali. Mas nós, os milhões, não somos os inocentes. Somos os culpados. Tudo que é feito nos três poderes é reflexo de uma cultura. E nós os elegemos. Mas nós podemos mudá-los. Lembrem-se em 2010: eleição é muito mais do que simplesmente trocar um presidente.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009


"Nasci no rigor do inverno, temperatura: 1 grau; e ainda por cima prematuramente, o que me deixava meio complexado, pois achava que não estava pronto. Até que um dia descobri que alguém tão completo como Winston Churchill
nascera prematuro - o mesmo tendo acontecido a sir Isaac Newton! Excusez du peu… Prefiro citar a opinião dos outros sobre mim. Dizem que sou modesto. Pelo contrário, sou tão orgulhoso que acho que nunca escrevi algo à minha altura. Porque poesia é insatisfação, um anseio de auto-superação. Um poeta satisfeito não satisfaz. Dizem que sou tímido. Nada disso! Sou é caladão, introspectivo. Não sei por que sujeitam os introvertidos a tratamentos. Só por não poderem ser chatos como os outros?"


Mário Quintana, o poeta por si mesmo.