sábado, 19 de março de 2011
O hype venceu.
Durante as últimas semanas, muito se falou no meio musical, sobre o lançamento simultâneo do quarto disco do The Strokes (“Angles”) e do disco debut do grupo “The Vaccines (“What Did You Expect From the Vaccines?”), provavelmente a banda de maior hype do mundo indie de 2010. Cabe uma observação sobre o The Vaccines – suas músicas tiveram grande circulação no Reino Unido e na Internet antes do disco ser lançado, gerando grande expectativa e tornando essa “disputa” menos desigual, já que The Strokes, dispensa apresentações, afinal, já receberam a alcunha (detestável na minha opinião) de “salvadores do rock” desde 2001.
Confesso que tinha grande expectativa sobre o disco do Strokes. Está certo que seus últimos dois álbuns não eram tão bons quanto seu impecável primeiro disco, mas ainda continham grandes hits, e ao menos meia dúzia de boas canções. Já sobre disco do The Vaccines, eu tinha um certo receio, já que geralmente acabo afastado pelo hype excessivo. Assim me decepcionei com bandas como Vampire Weekend, The Gossip ou CSS, que passaram por este processo. O Arctic Monkeys eu gostei, mas após algum tempo de audição. Provavelmente eu acabaria decepcionado pelos elogios excessivos ao Vaccines. Provavelmente.
Eu gostei do disco da banda. Vale a ressalva de que ele não é salvação do rock, nem o melhor disco do ano, nem 95% do que você vai ler por aí sobre ele. Mas é o essencial: um bom disco de rock, com uma sonoridade crua, e com músicas que vêem fácil ao seu ouvido. Tudo aquilo que havia de sobra e até com mais qualidade em “Is This It”, o primeiro álbum do Strokes (na época, o maior dos hypes, até se consolidar uma grande banda), e hoje falta no novo disco do grupo: os nova-iorquinos lançaram um disco morno, muitas vezes monótono. A principal carência está na boa e velha intensidade dos vocais de Julian Casablancas. Mas o disco não está todo perdido. E por mais contraditório que seja, as exceções ficam por conta de duas ou três faixas que exalam a capacidade da banda de produzir sonoridades diferentes, como "Machu Picchu" ou "Call Me Back". A maturidade também chega. O desafio é combater o hype e vencê-lo. Dessa vez, o hype venceu minha resistência. E que vença a boa música.
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